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Investimento
Os Libermans: da biofísica à IA descentralizada
No mundo das criptomoedas, 90% dos projetos são criados por equipes anônimas. Gonka é uma rara exceção: por trás dela está uma família pública com 20 anos de experiência em tecnologia, ciência e negócios. A família Liberman – David, Daniil, Anna e Maria – vendeu sua primeira startup, Snap Inc., por aproximadamente US$ 64 milhões, construiu uma segunda empresa com US$ 18 milhões em investimentos e, em seguida, criou a Gonka – uma rede de IA descentralizada que atraiu cerca de US$ 80 milhões de fundos globais líderes.
Para um investidor, este é um sinal chave: os fundadores não se escondem atrás de pseudônimos, suas biografias são verificáveis e seu histórico inclui uma saída para uma empresa pública (Snap = US$ 33 bilhões de capitalização de mercado no momento do IPO). Vamos analisar quem eles são, de onde vieram e por que sua história é importante para a avaliação do projeto.
Família e legado científico
A Gonka foi fundada pelos quatro Libermans: Daniil (CEO), David (CTO), Anna e Maria. Mas para entender por que exatamente esta família está construindo uma rede de IA descentralizada, é preciso voltar uma geração.
O pai deles, Yefim Liberman — laureado com o Prêmio Estadual da URSS, biofísico que já na década de 1970 previu o mecanismo de splicing do RNA — o processo pelo qual muitos proteínas podem ser criadas a partir de um único gene. Em 1993, Richard Roberts e Phillip Sharp receberam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina pela confirmação experimental desta descoberta. O trabalho de Yefim Liberman estava décadas à frente de seu tempo.
A mãe — Svetlana Minina — neurofisiologista, autora de mais de 50 publicações científicas na área de redes neurais. Não as digitais — as biológicas. Ela estudou como os neurônios reais processam informações. A ironia é que seus filhos estão construindo redes neurais artificiais que operam com os mesmos princípios.
As crianças cresceram em laboratórios entre microscópios, cartões perfurados e artigos científicos. Para eles, ML não é um marketing abstrato, mas a continuação de uma tradição familiar. O background científico define a abordagem da Gonka: a arquitetura da rede é construída sobre princípios matematicamente verificáveis, e não em promessas de marketing. Eles não são fundadores de criptomoedas aleatórios — eles têm uma base científica, reforçada pela validação do Nobel.
Da Snap à Product Science
Em 2016, David e Daniil fundaram a Kernel AR – uma startup de avatares 3D para realidade aumentada. A tecnologia permitia criar modelos 3D realistas de rostos em tempo real – algo que agora é normal em filtros, mas na época era uma inovação. Três meses após a fundação, a Snap Inc. (criadora do Snapchat, avaliada em ~US$ 20 bilhões na época) adquiriu a Kernel AR por aproximadamente US$ 64 milhões. Esta foi uma das saídas mais rápidas na história das startups de AR.
Dentro da Snap, a família Liberman não se tornou “ganhadora e foi embora”. Eles criaram o 3D Bitmoji – uma tecnologia de avatares 3D personalizados, usada hoje por centenas de milhões de pessoas. Paralelamente, trabalharam na otimização do cliente Android do Snapchat, onde descobriram uma percepção crítica: 53% dos usuários desinstalam aplicativos móveis devido ao baixo desempenho. Não por causa do design, não por causa das funções – mas por causa da lentidão.
Essa percepção tornou-se a base da próxima empresa. Em 2021, David e Daniil deixaram a Snap e, juntamente com Anna e Maria, fundaram a Product Science – uma plataforma para otimização automática de aplicativos móveis. A Product Science atraiu US$ 18 milhões em investimentos da Slow Ventures, K5 Global e outros fundos. A plataforma analisou o caminho crítico de execução do aplicativo e encontrou “gargalos” de desempenho automaticamente.
O que isso mostra ao investidor? Três coisas chave: 1) Os Libermans sabem construir empresas de tecnologia do zero. 2) Eles sabem vendê-las – e não para pequenos compradores, mas para corporações públicas do nível da Snap. 3) Eles não pararam em um único sucesso – cada empresa subsequente é mais complexa e ambiciosa que a anterior. Kernel AR → Snap → Product Science → Gonka – esta é uma trajetória ascendente, não um ziguezague acidental.
Por que a Gonka foi criada
Após duas empresas de sucesso em AR e otimização, os Libermans poderiam continuar a construir negócios SaaS em sua 'zona de conforto'. Em vez disso, eles assumiram uma tarefa fundamentalmente mais complexa: criar uma rede descentralizada de computação de IA. Por quê? Porque viram um problema que ninguém estava resolvendo: a computação de IA é controlada por quatro corporações, e 95% das GPUs do mundo estão ociosas.
A Gonka atraiu cerca de US$80 milhões de fundos líderes mundiais — e a composição dos investidores é um sinal de qualidade por si só:
- Coatue Management — um dos maiores fundos de tecnologia do mundo com US$48 bilhões em AUM. Investem em Rivian, Databricks, Airtable.
- Bitfury — US$50 milhões Série B, o primeiro investimento de seu novo fundo de US$1 bilhão, especializado em IA ética. A Bitfury não é um fundo de criptomoedas aleatório, mas uma das pioneiras da indústria blockchain desde 2011.
- Insight Partners — um fundo com mais de US$90 bilhões em AUM, cujo portfólio inclui Twitter, Shopify, Wix.
- Benchmark — lendário fundo do Vale do Silício, investidor inicial do eBay, Uber, Snap.
- Slow Ventures, K5 Global — fundos que já investiram no Product Science dos Libermans.
A Mainnet da Gonka foi lançada em agosto de 2025. A auditoria de segurança dos contratos inteligentes foi realizada pela CertiK — uma empresa líder em auditoria Web3. Até março de 2026, cerca de ~4.648 GPUs de ~113 participantes (~582 ML-nodes) foram conectadas à rede. Estas não são promessas de whitepaper — a rede funciona e processa solicitações de IA reais todos os dias.
Um sinal separado: o governo do Uzbequistão está considerando a integração de data centers estatais na rede Gonka. O Butão tornou-se o terceiro país do mundo a se envolver na mineração de criptomoedas em nível estatal e mostra interesse em projetos DePIN. Quando os estados começam a integração — este é outro nível de validação do projeto.
Visão: Uma Era de Abundância
Os Lieberman formulam a visão da Gonka através de uma analogia com o Linux. Na década de 1990, o software era controlado pela Microsoft — uma empresa decidia o que podia e o que não podia ser feito no computador. O Linux e o open source mudaram isso para sempre: hoje, 96% dos servidores no mundo operam com software aberto. A Gonka tenta fazer o mesmo com a computação de AI: transformar um recurso fechado das corporações em uma infraestrutura aberta.
Sua citação: «Criamos ferramentas de deuses, mantendo instituições da idade média». O significado: a humanidade já possui uma AI capaz de gerar código, analisar imagens médicas, controlar robôs — mas o acesso a essas ferramentas é controlado por um punhado de empresas em São Francisco. A OpenAI cobra $2.50—15 por milhão de tokens. A Gonka — $0.003. A diferença de ~830 vezes não é uma estratégia de marketing, mas uma consequência da arquitetura: quando não há despesas operacionais corporativas, o preço é determinado pelo custo real da computação.
O objetivo final é a «Age of Abundance»: um mundo onde a AI esteja disponível como a eletricidade, o custo efetivo de um robô caia para $100 e o custo do trabalho de rotina tenda a zero. Isso não é uma utopia — é a extrapolação das tendências atuais. O custo da AI inference cai uma ordem de grandeza a cada 18 meses. Modelos abertos (Qwen3-235B, Llama, DeepSeek) já competem com modelos proprietários. Gonka + modelos abertos = infraestrutura para esse futuro.
A questão não é «se a AI será barata e acessível» — mas «quem controlará o acesso». A resposta dos Lieberman: ninguém. Como ninguém controla o acesso ao Linux.
Por trás da Gonka está uma família com um legado científico (validação do trabalho do pai pelo Nobel), uma saída da Snap por ~$64M, uma segunda empresa com US$ 18M em investimentos e US$ 80M de fundos líderes mundiais (Coatue, Bitfury, Insight Partners, Benchmark). Este não é um projeto cripto anônimo – os fundadores têm um histórico público de 20 anos, biografias verificáveis e uma trajetória ascendente: cada empresa seguinte é mais complexa e ambiciosa que a anterior.